Mar sonoro, mar sem fundo, mar sem fim. A tua beleza aumenta quando estamos sós E tão fundo intimamente a tua voz Segue o mais secreto bailar do meu sonho Que momentos há em que eu suponho Seres um milagre criado só pra mim.
quinta-feira, 27 de dezembro de 2007
A Estátua
Nas suas mãos a voz do mar dormia Nos seus cabelos o vento de esculpia
A luz rolava entre os seus braços frios E nos seus olhos cegos e vazios Boiava o rasto branco dos navios.
domingo, 2 de dezembro de 2007
Não se perdeu nada em mim
Não se perdeu nenhuma coisa em mim. Continuam as noites e os poentes Que escorreram na casa e no jardim, Continuam as vozes diferentes Que intactas no meu ser estão suspensas. Trago o terror e trago a claridade, E através de todas as presenças Caminho para a única unidade.
domingo, 28 de outubro de 2007
No mar passa
No mar passa de onda em onda repetido O meu nome fantástico e secreto Que só os anjos do vento reconhecem Quando os encontro e perco de repente.
Não te chamo para te conhecer Conheço tudo à força de não ser
Peço-te que venhas e me dês Um pouco de ti mesmo onde eu habite.
Musa
Aqui me sentei quieta Com as mãos sobre os joelhos Quieta muda secreta Passiva como os espelhos
Musa ensina-me o canto Imanente e latente Eu quero ouvir devagar O teu súbito falar Que me foge de repente.
Flores
Era preciso agradecer às flores Terem guardado em si, Límpia e pura, Aquela promessa antiga De uma manhã futura.
O vazio desenhava desde sempre
O vazio desenhava desde sempre a forma do teu rosto Todas as coisas serviam para nos ensinar A ardente perfeição da tua ausência.