Mar sonoro, mar sem fundo, mar sem fim. A tua beleza aumenta quando estamos sós E tão fundo intimamente a tua voz Segue o mais secreto bailar do meu sonho Que momentos há em que eu suponho Seres um milagre criado só pra mim.
sexta-feira, 6 de junho de 2008
Tudo
Tudo me é uma dança em que procuro A posição ideal, Seguindo o fio dum sonhar obscuro Onde invento o real.
À minha volta sinto naufragar Tantos gestos perdidos Mas a alma, dispersa nos sentidos, Sobe os degraus do ar...
terça-feira, 3 de junho de 2008
Em nome
Em nome da tua ausência Construí com loucura uma grande casa branca E ao longo das paredes te chorei
quinta-feira, 29 de maio de 2008
No alto mar
No alto mar A luz escorre Lisa sobre a água. Planície infinita Que ninguém habita.
O Sol brilha enorme Sem que ninguém forme Gestos na sua luz.
Livre e verde a água ondula Graça que não modula O sonho de ninguém.
São claros e vastos os espaços Onde baloiça o vento E ninguém nunca de delícia ou de tormento Abre neles os seus braços.
sábado, 24 de maio de 2008
Reino
Reino de medusas e água lisa Reino de silêncio luz e pedra Habitação das formas espantosas Coluna de sal e círculo de luz Medida da Balança misteriosa
terça-feira, 20 de maio de 2008
A luz e a casa
Em redor da luz Com sombras e brancos A casa se procura
Minhas mãos quase tocam O branco respirar Da sua atenção pura
sexta-feira, 16 de maio de 2008
As fontes
Um dia quebrarei todas as pontes Que ligam o meu ser vivo e total, À agitação do mundo irreal, E calma subirei até às fontes.
Irei até às fontes onde mora A plenitude, o límpido esplendor Que me foi prometido em cada hora, E na face incompleta do amor.
Irei beber a luz e o amanhecer Irei beber a voz dessa promessa Que às vezes como um voo me atravessa, E nela cumprirei todo o meu ser.
quinta-feira, 15 de maio de 2008
Sacode as nuvens
Sacode as nuvens que te poisam nos cabelos, Sacode as aves que te levam o olhar. Sacode os sonhos mais pesados do que as pedras.
Porque eu cheguei e é tempo de me veres, Mesmo que os meus gestos te trespassem De solidão e tu caias em poeira, Mesmo que a minha voz queime o ar que respiras E os teus olhos nunca mais possam olhar.