Mar sonoro, mar sem fundo, mar sem fim. A tua beleza aumenta quando estamos sós E tão fundo intimamente a tua voz Segue o mais secreto bailar do meu sonho Que momentos há em que eu suponho Seres um milagre criado só pra mim.
domingo, 28 de outubro de 2007
No mar passa
No mar passa de onda em onda repetido O meu nome fantástico e secreto Que só os anjos do vento reconhecem Quando os encontro e perco de repente.
Não te chamo para te conhecer Conheço tudo à força de não ser
Peço-te que venhas e me dês Um pouco de ti mesmo onde eu habite.
Musa
Aqui me sentei quieta Com as mãos sobre os joelhos Quieta muda secreta Passiva como os espelhos
Musa ensina-me o canto Imanente e latente Eu quero ouvir devagar O teu súbito falar Que me foge de repente.
Flores
Era preciso agradecer às flores Terem guardado em si, Límpia e pura, Aquela promessa antiga De uma manhã futura.
O vazio desenhava desde sempre
O vazio desenhava desde sempre a forma do teu rosto Todas as coisas serviam para nos ensinar A ardente perfeição da tua ausência.
Final
Mas na janela o ângulo intacto duma espera Resolve em si o dia liso.
sábado, 27 de outubro de 2007
Eu chamei-te para ser
Eu chamei-te para ser a torre Que viste um dia branca ao pé do mar. Chamei-te para me perder nos teus caminhos. Chamei-te para sonhar o que sonhaste. Chamei-te para não ser eu: Pedi-te que apagasses A torre que eu fui a minha vida os sonhos que sonhei.